Emerson Zotti
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PROJETO · 2020–2025

Estrutura e resiliência numa cadeia cativa do Cerrado

Estruturando a gestão e governando relações de dependência numa operação familiar de grãos.

Gestor de estratégia e governança, Agrícola Zotti (empresa familiar) · Cerrado, Tocantins (MATOPIBA), Brasil · 2020–2025

Visão geral

Por cinco safras (outubro de 2020 a novembro de 2025), trabalhei dentro da operação de grãos da nossa família no Cerrado do Tocantins, na fronteira do MATOPIBA. A produção ali exige alta produtividade sob constante exposição climática e alavancagem permanente de capital, num mercado em que o financiamento se concentra em poucos elos da cadeia. É nessa condição que gestão e governança decidem se o valor é mantido ou perdido.

O problema

A operação era competitiva no campo e estruturalmente exposta fora dele: concentração das fontes de financiamento, com o poder de barganha que essa condição impõe; assimetria de informação sobre contratos, processos e mercado; e uma gestão familiar informal, sem os protocolos que a escala operacional já exigia.

O que eu fiz

Estruturei a capacidade de gestão que a escala exigia: orçamento, monitoramento de entregas e conciliação, protocolos contratuais com assessoria jurídica especializada, organização da documentação — de matrículas de imóveis a registros em cartório —, relacionamento com seguradoras e securitizadoras, e a conformidade fiscal, tributária e ambiental junto à Receita Federal, à Secretaria da Fazenda e ao órgão ambiental do Tocantins. Governei a relação de dependência comum ao produtor rural: desenhei planos de financiamento para negociar com tradings, mantive os sócios mobilizados e informados, e reduzi a assimetria de informação que sustentava nossa desvantagem. Quando uma proposta de assessoria jurídica de sete dígitos ameaçou criar um novo credor dominante, estruturei proteção equivalente por uma fração do custo. Geri riscos e crises, de laudos e boletins de ocorrência à resposta a incêndios. Conduzi inventários de emissões (GHG Protocol, IPCC) e avaliei oportunidades de financiamento no mercado voluntário de carbono (e em linhas como o RenovAgro). Tive autonomia sobre agenda e resolução operacional e fiscal; decisões estratégicas passavam sempre pelos sócios.

O que ficou

Uma gestão mais enxuta, organizada e assertiva, com protocolos incorporados à rotina da operação. O que mudou foi a capacidade da operação de governar o negócio com menos fricção, menos exposição a penalidades e mais informação do lado dos sócios da mesa.